Blog da Família

PORQUE É IMPORTANTE LER?

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on email
Share on whatsapp

Por Marcia de Oliveira – CMV

O ato de ler exige do leitor mais do que a mera decodificação de letras e palavras em sons e para desenvolver esta competência é necessária uma prática constante de leitura. Neste contexto, acreditamos que o docente em qualquer nível, do fundamental ao ensino superior, não deve ficar omisso à frente do problema de leitura e, principalmente, no entendimento dos textos lidos. Sendo a leitura uma pratica social, o leitor não é apenas um mero decodificador, mas alguém que assume um papel atuante na busca de significações. 

Para que haja uma leitura satisfatória, com a compreensão do que se lê em sua totalidade, são necessários diversos tipos de conhecimentos prévios: vocabulário, noções e conceitos sobre o texto e o repertório do leitor sobre a leitura do mundo.

Ao pensarmos no desenvolvimento da escrita, relacionando ao desenvolvimento das sociedades humanas, podemos também pensar em como o homem decodifica seus registros. Das representações pictográficas, passando pelos hieróglifos até a escrita fonográfica esses registros tornaram-se representações de um sistema de valores e, portanto, a partir de sua leitura podemos compreender melhor o funcionamento de determinadas sociedades.

Cagliari (2010) afirma que a leitura tem a sua convencionalidade guiada não só pelos elementos linguísticos, mas também pelos elementos culturais, ideológicos, filosóficos, entre outros, do leitor.

Se a escrita é um conjunto de signos e símbolos, ser capaz de verbalizá-los não significa, necessariamente, que foram interpretados e compreendidos. A leitura é um processo que se baseia a linguagem e na cultura social, e esta tem uma importante função de socialização, o que só é possível quando se partilha não apenas o código, mas também seus significados.

Cagliari (2010, p.139) questiona “Por que, então, não começar a ensinar a escrever e a ler, dando mais ênfase à leitura?” Assim sendo, ao entendemos a importância da leitura, acreditamos que o único limite para ampliar as possibilidades de formação de leitores é a compreensão do que está acontecendo no entorno do leitor para que a partir daí possam ser traçadas estratégias para estimular e promover a formação de leitores mais competentes.

Pressupõe-se que o desafio do docente é proporcionar aos discentes um desenvolvimento, cultural, científico, tecnológico e humano, para adquirir um preparo para o mundo. 

A formação do docente ao lado da reflexão sobre a prática educativa é um paradigma presente na sociedade contemporânea, sobre o qual Freire (1996, p. 165) dizia “na formação permanente dos professores, o momento é o da reflexão crítica sobre a prática”. Nessa perspectiva pensar na formação do professor é perceber o papel importante que o docente tem na sociedade. Diante dos avanços e transformações tecnológicas e culturais pelas quais estamos passando, “ser docente” constitui-se em uma carreira interativa que trata de formar pessoas com pensamentos autônomos, respeitando a pluralidades de ideias e não permanecendo isolado no interior da sala de aula, é necessário interagir com os discentes por meio das novas tecnologias e utilizá-las para criar novas situações de aprendizagem e leitura.

Essa interação consiste em o docente não ficar omisso frente ao problema de leitura, mas procurar novos caminhos metodológicos. Cagliari (2010, p.131) diz que “Ler é uma atividade extremamente complexa e envolve não só o semântico, cultural, ideológico, filosófico (…)”. Tudo o que se ensina na escola está ligado à leitura e depende dela para se manter e desenvolver.

Ser docente exige muito mais do que ter somente conhecimento, e preciso ensinar seus discentes a pensarem, a criticarem e a desenvolverem suas habilidades e competências, ou seja, um estimulador capaz de desenvolver estratégias que despertem nos alunos  o gosto pela leitura.

Ao refletir sobre a importância da leitura, constata-se que o papel do docente é de fundamental importância e pode contribuir para a melhoria do processo ensino-aprendizagem, bem como para a transformação dos discentes que chegam às salas de aula com gigantescas lacunas no desenvolvimento da competência leitora. Por meio do aprimoramento da capacidade leitora é possível transformar alunos com dificuldade sem sujeitos ativos na construção dos seus conhecimentos.

Estas breves reflexões foram embasadas teoricamente em renomados pensadores como Freire (1986), Cagliari (2010), Moran (2000). Procuramos refletir sobre a formação do discente-leitor e o quanto é importante desenvolver o hábito de ler, além, de entender que a todo instante lemos e interpretamos o mundo ao nosso redor, seja por meio de textos, de imagens ou símbolos pelos quais fluem as variações linguísticas. É importante salientar que a leitura age como um influente transformador da sociedade, ou seja, um libertador de pensamentos.

Concluímos que adquirir o hábito de leitura abre caminhos para ampliação de horizontes, com a leitura de mundo mais crítica e complexa, possibilita escolhas mais conscientes e autônomas, além de aprimorar a capacidade de comunicação e interação, e como não mencionar, proporcionar momentos de deleite e prazer durante este processo.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Introdução. Brasília/DF: MEC. SEF. 1997. 

CAGLIARI, Luiz Carlos. Alfabetização e Linguística. São Paulo: Scipione, 2010.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. São Paulo. Cortez, 2005.

Pedagogia da autonomia: saberes necessários à pratica educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1976.

Professora sim tia não: cartas a quem ousa ensinar. São Paulo: Olho D’Água, 1993.

Compartilhe esse post
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on email
Share on whatsapp

Sobre o autor